Ao vivo Ao Vivo

Compensação ambiental pela duplicação da Rodovia Raposo Tavares transforma cenário de pastagem em floresta recuperada, em Marabá Paulista

Foram plantadas 200 mil mudas de espécies da Mata Atlântica nativas da região em 149 hectares.

Por: ifronteira.com
05/08/2026 às 17:32
Foram plantadas 200 mil mudas de espécies da Mata Atlântica nativas da região em 149 hectares, em Marabá Paulista (SP) |
Foram plantadas 200 mil mudas de espécies da Mata Atlântica nativas da região em 149 hectares, em Marabá Paulista (SP) | Foto: Cart

Uma área que até poucos anos ocupada por pastagem hoje apresenta uma floresta em desenvolvimento, com árvores que chegam a 15 metros de altura, e o retorno de espécies emblemáticas da fauna brasileira. A transformação é resultado do projeto de compensação ambiental desenvolvido na reserva federal da Estação Ecológica Mico-Leão-Preto (Esec-MLP), em Marabá Paulista (SP).

Iniciado em 2018 como parte das medidas compensatórias pelas intervenções realizadas durante as obras de duplicação da Rodovia Raposo Tavares (SP-270), o projeto conduzido pela concessionária Cart, empresa responsável pela estrada, recuperou uma área de 149 hectares por meio do plantio de aproximadamente 200 mil mudas de espécies nativas da região. A área equivale a 209 campos de futebol e é praticamente o espaço do Parque Ibirapuera, tradicional cartão-postal da cidade de São Paulo (SP).

Mais do que cumprir uma exigência ambiental, a iniciativa restaura uma área degradada e cria uma conexão entre fragmentos florestais, ampliando as condições para deslocamento e abrigo da fauna silvestre, especialmente do mico-leão-preto (Leontopithecus chrysopygus), um dos primatas mais raros e ameaçados de extinção do mundo, cuja ocorrência está restrita a poucas localidades do interior paulista, uma delas o Pontal do Paranapanema.

Passados alguns anos desde o início do reflorestamento, o cenário é completamente diferente. Onde antes predominava o pasto, hoje, a vegetação forma um corredor ecológico que conecta áreas de mata nativa. A floresta segue em desenvolvimento, com regeneração natural e árvores que alcançam entre 10 e 15 metros de altura.

 

Imagem da matéria
Imagem aérea da área antes do reflorestamento em Marabá Paulista (SP) | Foto: Cart

 

Retorno dos animais

 

O resultado também pode ser observado pelo retorno da fauna. Monitoramentos realizados pelo Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ) registram a presença de espécies como onça-pintada (Panthera onca), onça-parda (Puma concolor) e anta (Tapirus terrestris), entre outras.

Sobre o mico-leão-preto, há evidências de aproximação desses animais à área recuperada, indicando o bom desenvolvimento e a retomada das funções ecológicas do ambiente.

O projeto é acompanhado pelo IPÊ, responsável pelos programas Corredores da Vida e Conservação do Mico-Leão-Preto, e contou ainda com a participação da Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp).

O reflorestamento foi desenvolvido em conformidade com a legislação ambiental vigente, utilizando exclusivamente espécies nativas da vegetação regional, incluindo plantas de importância para a conservação da biodiversidade.

 

Imagem da matéria
Imagem aérea da área depois do reflorestamento em Marabá Paulista (SP) | Foto: Cart

 

Muito além do plantio

 

Segundo o coordenador de Meio Ambiente da Cart, Murilo Pires dos Santos, a recuperação da área demonstra que os resultados da compensação ambiental vão muito além do plantio de mudas.

"Quando observamos a conexão formada entre os fragmentos florestais e o retorno de espécies importantes da fauna, percebemos que o projeto alcançou seu principal objetivo: devolver funções ecológicas a uma área antes degradada e contribuir efetivamente para a conservação da biodiversidade regional", afirma.

Embora grande parte da área já apresente resultados expressivos, o trabalho continua. Atualmente, outros 64 hectares permanecem em fase de manutenção, assegurando o desenvolvimento da vegetação e a consolidação do processo de recuperação ambiental.

 

Imagem da matéria
Foram plantadas 200 mil mudas de espécies da Mata Atlântica nativas da região em 149 hectares, em Marabá Paulista (SP) | Foto: Cart

 

A estação ecológica

 

Criada em julho de 2002, a Estação Ecológica Mico-Leão-Preto é uma Unidade de Conservação (UC) sob responsabilidade do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e abrange uma área total de 6.680,67 hectares, distribuídos entre os municípios de Euclides da Cunha Paulista (SP), Marabá Paulista, Presidente Epitácio (SP) e Teodoro Sampaio (SP), com o bioma da Mata Atlântica, na região do extremo oeste do Estado de São Paulo conhecida como Pontal do Paranapanema.

 

Imagem da matéria
Foram plantadas 200 mil mudas de espécies da Mata Atlântica nativas da região em 149 hectares, em Marabá Paulista (SP) | Foto: Cart