Ação contra organização criminosa envolvida com contrabando e descaminho cumpre mandados em Presidente Prudente

Outras 29 determinações de busca e apreensão foram cumpridas em vários estados.

Por: ifronteira.com
09/04/2026 às 16:40
Operação Platinum cumpriu 32 mandados de busca e apreensão |
Operação Platinum cumpriu 32 mandados de busca e apreensão | Foto: Receita Federal do Brasil

A Receita Federal, em conjunto com a Polícia Federal, cumpriu, nesta quarta-feira (8), três mandados de busca e apreensão em endereços de Presidente Prudente (SP) no âmbito da Operação Platinum.

A ação tem como objetivo desarticular uma organização criminosa altamente estruturada, voltada à prática dos crimes de contrabando, descaminho e lavagem de capitais. O foco da operação recai, especialmente, sobre o robusto aparato logístico e financeiro utilizado pelo grupo para dar suporte às atividades ilícitas.

Ao portal ifronteira.com, a Receita Federal informou que, além de Presidente Prudente, foram cumpridos outros 29 mandados nos municípios de:

  • Recife (PE): 2
  • Contagem (MG): 1;
  • Campinas (SP): 2;
  • Foz do Iguaçu (PR): 1;
  • Santa Terezinha do Itaipu (PR): 6;
  • Goiânia (GO): 4;
  • Jaraguá (GO): 9;
  • São Paulo (SP): 2;
  • Dourados (MS): 1;
  • Céu Azul (PR): 1.

Durante a operação também foram cumpridos 21 mandados de prisões preventivas.

Além das medidas judiciais, são cumpridas fiscalizações administrativas com apreensões de mercadorias de origem ilícita em empresas

A Receita Federal também informou ao portal ifronteira.com que foram apreendidas mercadorias avaliadas em aproximadamente R$ 1,6 milhão:

  • Região de Foz do Iguaçu: R$ 50 mil (robô aspirador, toners e celulares)
  • Região de Campinas: R$ 18 mil (celulares)
  • Região de São Paulo: R$1.520.848 (Toners Canon e Epson, perfumes, vestuário, mochilas, telas para celular, ventiladores e teclados para computadores).

Participam da ação:

  • 52 auditores-fiscais e analistas-tributários da Receita Federal do Brasil; e
  • 102 policiais federais.

 

Contexto

Segundo divulgado pela Receita, a organização criminosa investigada possui atuação interestadual e transnacional e conta com uma forte estrutura operacional para dar suporte à prática delituosa. O grupo utiliza empresas de fachada e interpostas pessoas (“laranjas”), além de adotar uma rígida divisão de tarefas que vai desde a cotação de preços no exterior até a venda dos produtos de origem ilícita em plataformas digitais.

 

Início das investigações

As apurações tiveram início em agosto de 2022, a partir de uma apreensão de mercadorias descaminhadas transportadas por três veículos de passeio em comboio. No curso da investigação, constatou-se que os produtos trazidos irregularmente do Paraguai eram comercializados pelos próprios integrantes da organização por meio de plataformas de vendas on-line.

Os órgãos oficiais acreditam que somente no período entre 2020 e 2024, a organização criminosa movimentou mais de 300 milhões de reais em vendas, apenas em uma das plataformas. Estima-se que o grupo tenha movimentado aproximadamente R$ 1 bilhão, ao longo do período investigado, entre vendas das mercadorias ilícitas e operações de lavagem de capitais.

As mercadorias objeto de descaminho eram predominantemente produtos eletrônicos, tais como aparelhos celulares, discos rígidos, robôs aspiradores, equipamentos eletrônicos, aparelhos de ar-condicionado portáteis, além de perfumes e tintas para impressoras.

 

Operação Platinum cumpriu 32 mandados de busca e apreensão | Foto: Receita Federal do Brasil

 

Modus operandi

De acordo com as investigações, a organização criminosa contava com uma estrutura formada por várias empresas, podendo chegar a 300 pessoas jurídicas, a maioria de fachada, e mais de 40 pessoas físicas.

Seus integrantes eram divididos em grupos, de acordo com as funções desempenhadas no esquema delituoso.

O “grupo de trabalho” era composto por motoristas, batedores e olheiros.

O “grupo de compras” era responsável por pedidos, cotações e pagamentos no Paraguai. 

Já o “grupo de vendas” cuidava do controle das vendas, realizadas principalmente em plataformas de marketplace, além da apuração e distribuição de lucros entre os integrantes.

A investigação também identificou empresas responsáveis por atuar como “noteiras” – empresas criadas exclusivamente para gerar e comercializar notas fiscais frias, destinadas a dar aparência de legalidade à venda de produtos contrabandeados e descaminhados.

Além disso, foram identificadas mais de 10 interpostas pessoas, utilizadas como “laranjas” para a abertura de contas bancárias, a constituição de empresas e a movimentação de recursos.

Alguns dos integrantes da organização ainda atuavam nas redes sociais como especialistas em gestão de vendas, e-commerce e importação, comercializando cursos e mentorias.