Sete pessoas, sendo três homens, de idades entre 29 e 35 anos, e quatro mulheres, entre 25 e 30 anos, foram presos temporariamente nesta quarta-feira (15) durante o cumprimento do operação “Golden Gift”, realizada pela Polícia Civil de Presidente Prudente (SP), simultaneamente, em Cambé (PR), Londrina (PR) e São Paulo (SP).
Conforme a Polícia Civil, a operação “Golden Gift” teve início em abril, quando a delegacia foi procurada por gerente de loja de marcas de luxo de Presidente Prudente, solicitando o registro e apoio na investigação de compras realizadas no e-commerce da empresa.
A gerente disse aos policiais que o comprador entrou em contato eletronicamente, fez cadastro e a escolha de produtos, pagou com cartão de crédito por link e que a mercadoria, por quatro vezes, fora entregue ao motoboy contratado pelo comprador.
Porém, depois disso, em horas, soube pela plataforma de segurança que o cartão seria contestado por fraude, experimentando prejuízo superior a R$ 12 mil.
Os prints das conversas e prefixos de contatos foram entregues à Polícia Civil, subsidiando as solicitações de acesso às fontes fechadas.
Depois de investigação por pouco mais de dois meses, os policiais civis identificaram outras três vítimas da cidade, todas lojas com produtos de alto valor e marcas afamadas, além de dezenas de outras lojas dos estados de São Paulo e Paraná.
Com o avanço das investigações, foi possível identificar o núcleo criminoso residente em Londrina e Cambé, no Paraná, além do fraudador de dispositivos residentes na cidade de São Paulo.
Segundo a Polícia Civil, os criminosos adquiriam de cracker cartões de créditos fraudados e faziam as compras, por encomenda, de artigos de luxo, para venda posterior com desconto de até 60% do valor original. Por exemplo, um uma bolsa feminina de valor de R$ 5 mil na loja, sendo anunciado pelo grupo por R$ 2 mil, com uma montagem no anúncio com a imagem eletrônica oficial.
Depois, com a compra de produto original, faziam os pagamentos com documentos falsos em cadastros em lojas, contratavam entregadores por aplicativos para deixar a encomenda com outros contratados por aplicativos de viagem com destino a Londrina de onde, com novo entregador, faziam os objetos chegar até os seus compradores em engenharia social altamente complexa

Toda compra e venda do produto criminoso eram feitas por distanciamento, ou seja, por comunidades em redes sociais.
Durante a operação, sete pessoas tiveram a prisão temporária decretada, como participantes de associação ou organização criminosa, sendo sete estelionatos eletrônicos consumados e lavagem de dinheiro.
Contra outras sete pessoas, uma delas já presa no sistema penal do Paraná, foram expedidos mandados de busca e serão indiciados pelas compras dos produtos de luxo, com a ciência de sua origem, pelo crime de receptação, além de terem os produtos apreendidos.
Ao todo, 14 pessoas foram identificadas pela Polícia Civil até o momento.
Contudo, com os 12 mandados de buscas realizados nesta manhã, centenas de objetos de grife e de luxo sem origem lícita confirmada foram apreendidas, além de farto material eletrônico e documentos que possibilitarão, após análise dos investigadores e peritos, que novas fases da ação possam ser realizadas, identificando outros integrantes do grupo, receptadores e identificando patrimônio adquirido com proventos desonestos que possa subsidiar o ressarcimento das vítimas e eventual pagamento moral coletivo.
Diversas contas bancárias foram bloqueadas para o sequestro dos valores dispostos.
Ainda conforme a Polícia Civil, o grupo atuava há, pelo menos, dois anos, e fraudava, segundo provas captadas pelos policiais civis, em média diária ao menos R$ 40 mil, o que levaria valor desviado mensalmente de lojas superior a R$ 1 milhão.
Todos os suspeitos foram levados às unidades da Delegacia da Polícia Civil onde, sete foram ouvidos e presos, sendo os demais indiciados para responder pelos crimes de organização criminosa, lavagem de capitais e estelionato com fraude eletrônica e receptação.
As investigações prosseguem.
