Uma pizzaria sofreu um prejuízo de mais de R$ 2,3 mil em decorrência de um golpe do qual foi vítima aplicado mediante a utilização de falsos comprovantes de pagamento via PIX em Presidente Prudente (SP). Nesta sexta-feira (28), a Polícia Civil deflagrou a Operação Recidiva e apreendeu seis aparelhos celulares pertencentes a pessoas investigadas como suspeitas de envolvimento com o estelionato.
As investigações tiveram início após o proprietário da pizzaria, em Presidente Prudente, constatar que diversos pedidos haviam sido entregues mediante o encaminhamento de supostos comprovantes de pagamento via PIX, embora os respectivos valores não tivessem sido efetivamente creditados na conta bancária do estabelecimento comercial.
Segundo a Polícia Civil, as apurações identificaram uma sequência de pedidos realizados mediante dinâmica semelhante, consistente na solicitação dos produtos, na indicação de endereços para entrega e no posterior encaminhamento de comprovantes de pagamento que não correspondiam a transações efetivamente realizadas.
Ao todo, ainda de acordo com a polícia, seis pedidos foram efetivamente entregues e causaram prejuízo de R$ 2.374,40 à pizzaria. Outros três pedidos foram identificados a tempo pela vítima e interrompidos antes da entrega, evitando a ampliação do prejuízo.
Com o avanço das investigações, que têm como alvos dois homens, de 27 e 34 anos, e uma mulher, de 27 anos, foram reunidas provas que subsidiaram o pedido ao Poder Judiciário da expedição de quatro mandados de busca e apreensão, cumpridos simultaneamente nesta sexta-feira, nos bairros Parque Shiraiwa e Conjunto Habitacional Ana Jacinta.
Durante as diligências, foram realizadas vistorias nos imóveis relacionados às investigações e apreendidos, ao todo, seis aparelhos celulares, incluindo dispositivos localizados em poder de suspeitos, em quartos por eles utilizados e em outro local ligado às apurações.
Segundo a polícia, um dos investigados afirmou inicialmente não possuir aparelho celular. Entretanto, após buscas no imóvel, foi localizado um telefone escondido sob o colchão de uma cama e o aparelho acabou recolhido.
Os aparelhos celulares serão encaminhados ao Instituto de Criminalística (IC) para a realização de exames periciais visando à extração e à análise de dados que possam contribuir para as investigações, a identificação de eventuais outros envolvidos e a individualização das condutas apuradas.
A polícia explicou que o nome dado à operação faz referência ao histórico criminal de um dos investigados, que já foi condenado, em primeira instância, em duas oportunidades, pela prática reiterada do mesmo tipo de crime, também envolvendo fraudes eletrônicas contra estabelecimentos comerciais do ramo alimentício.
Nas ocorrências anteriores, foi empregada dinâmica substancialmente semelhante à ora investigada, consistente na realização de pedidos de alimentos por meios eletrônicos, na indicação de endereço para entrega e no encaminhamento de comprovantes falsos de pagamento via PIX, induzindo os estabelecimentos a comercializar os produtos sem o correspondente recebimento dos valores.
As investigações prosseguem com a análise e, especialmente, com a realização das perícias nos aparelhos eletrônicos apreendidos.
A Polícia Civil aproveita a operação para alertar comerciantes, especialmente de estabelecimentos que trabalham com grande volume de pedidos e pagamentos digitais, sobre a necessidade de conferir os valores efetivamente recebidos antes da liberação ou entrega dos produtos.
Com a crescente utilização do PIX e de outros meios eletrônicos de pagamento, criminosos podem se valer de comprovantes falsificados ou adulterados para simular transações que nunca foram realizadas. O recebimento de um comprovante não significa que o pagamento foi efetivamente concretizado.
A orientação é para que os estabelecimentos adotem rotinas internas de conferência e, sempre que possível, confirmem o efetivo ingresso do valor na conta antes da liberação ou entrega da mercadoria.
Também é recomendável, segundo a polícia, realizar a conferência diária entre pedidos, vendas e créditos recebidos, principalmente em estabelecimentos com grande fluxo de atendimento, permitindo que eventuais divergências sejam identificadas rapidamente e evitando a repetição da fraude.
Em caso de suspeita, devem ser preservados os comprovantes, conversas, números utilizados nos contatos, registros dos pedidos, endereços de entrega e demais informações disponíveis para comunicação à Polícia Civil.