Professor, historiador e um exemplo do trabalho incansável pela arte da escrita, Benjamin Resende teve o privilégio de viver nos marcos mais importantes de Presidente Prudente (SP), o cinquentenário, em 1967, e o centenário, em 2017.
Aos 93 anos, Benjamin tem quatro filhos, seis netos e dois bisnetos. Ele é viúvo de Hebe Memari Teodoro de Resende, com quem foi casado por 58 anos.
Natural de Lavras (MG), veio para Presidente Prudente em 1939, onde ficou por um ano até voltar para Minas Gerais com a família. Em 1953, voltou para o Oeste Paulista para fazer o Curso Clássico, no Instituto de Educação (IE) Fernando Costa.
É formado em direito pela Universidade de São Paulo (USP), no Largo São Francisco, em São Paulo (SP). Advogou para as Indústrias Reunidas Fábricas Matarazzo (IRFM) e para a Guarda Civil em Presidente Prudente.
Graduou-se em letras pela Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de Jacarezinho (Fafija), no Paraná. Em seguida, começou a dar aulas de português no período noturno no IE.
Também possui graduação em pedagogia pela Universidade do Oeste Paulista (Unoeste), especialização em língua e literatura pelo Fundação Dracenense de Educação e Cultura (Fundec), especialização em curso de literatura portuguesa pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Assis (FCLAs), especialização em direito público pela Fundação do Desenvolvimento Administrativo (Fundap) e mestrado em educação pela Unoeste.
Benjamin Resende é autor dos livros:

Apesar de ter nascido em Minas Gerais, Benjamin conhece os prudentinos mais do que muitas pessoas nascidas na maior cidade do Oeste Paulista. Em entrevista exclusiva ao ifronteira.com, o memorialista conta sua vivência no município, que completa 109 anos de fundação nesta segunda-feira (14), desde a Estrada de Ferro Sorocabana até seus resgates na série de livros “Raízes Prudentinas”.
ifronteira.com - Qual conselho o senhor deixa para as novas gerações que vão construir os próximos 100 anos?
Benjamin Resende - Viver a vida com justiça, paz e muita tranquilidade, preservando a memória da família e da comunidade em que se vive.
ifronteira.com - O senhor documentou a cidade desde os tempos da ocupação ligada à Estrada de Ferro Sorocabana. Na sua visão, em qual momento a cidade "virou a chave" para deixar de ser apenas um ponto de armazenamento agrícola e se tornar uma referência no Oeste Paulista?
Benjamin Resende - A "virada de chave" se deu após o cinquentenário da cidade em 1967.
Acabou a estrada de ferro Sorocabana e, em 1959, foi criado a indústria automobilística no Brasil e refletiu no país inteiro o transporte. E também vieram muitas indústrias para o Brasil.
Em [Presidente] Prudente as indústrias algodoeiras foram indo para outros lugares, pois não se plantava mais algodão e amendoim. A criação de gado tomou conta da região.

ifronteira.com - Pouquíssimas pessoas no município tiveram o privilégio de participar tanto das comemorações do cinquentenário (em 1967) quanto do centenário (em 2017). Qual era o sentimento da cidade em 1967 comparado ao de 2017?
Benjamin Resende - Até o cinquentenário, em 1967, a cidade era pequena, todos se conheciam e a cidade era tranquila. Em 2017, no centenário, a cidade cresceu assustadoramente com prédios, veículos e pessoas. O sentimento era de tranquilidade até o cinquentenário, e com o centenário uma população apressada que não se comunica afetivamente.

ifronteira.com - Em relação aos livros da série “Raízes Prudentinas”, qual foi a história ou documento mais difícil de resgatar nessa jornada?
Benjamin Resende - O livro mais difícil com as histórias de Raízes Prudentinas foi o livro “Centenárias”, pois é uma síntese de todos os prefeitos que passaram por Presidente Prudente, deixando-me e fazendo a sua história.

ifronteira.com - Na sua visão, qual foi o maior acerto de planejamento urbano na história de Presidente Prudente, e qual foi a grande oportunidade perdida que poderia ter mudado o rumo do município?
Benjamin Resende - O maior acerto de planejamento da cidade foi feito pelo prefeito doutor Domingos Leonardo Cerávolo (1889-1997) de 1939 a 1945 e de 1950 a 1954.
Foi o doutor Domingos colega do doutor Ademar de Barros (1901-1969), governador do Estado de São Paulo, no curso de medicina do Rio de Janeiro. Ademar de Barros foi nomeado pelo presidente Getúlio Vargas (1882-1954) como interventor de São Paulo.
Presidente Prudente era uma pequena cidade e o doutor Domingos conseguiu do governador Ademar de Barros praticamente todos prédios públicos da cidade. Foi um avanço para Presidente Prudente e região.
Um momento parado para Presidente Prudente foi a ditadura de 1964 a 1985.

ifronteira.com - Ver seus filhos, netos e bisnetos crescendo na cidade que o senhor documentou muda a sua forma de olhar para o futuro de Presidente Prudente?
Benjamin Resende - Não muda, porque os pais devem orientar os filhos a respeito de sua cidade e região e fazer com carinho um local de bem-estar e prosperidade.

ifronteira.com - O senhor acabou de lançar o “Raízes Prudentinas 7”. Nos conte sobre a obra?
Benjamin Resende - "Raízes Prudentinas Femininas 7" são 54 crônicas de senhoras que viveram e vivem em Presidente Prudente, dando sua colaboração e fazendo de Presidente Prudente uma cidade assistencial, progressista e de amor a todos.
ifronteira.com - Qual evolução o senhor percebeu em Presidente Prudente desde o lançamento do primeiro volume de “Raízes Prudentinas”?
Benjamin Resende - A evolução que eu senti é que, nos primeiros livros, eu conto a história mais antiga de Presidente Prudente e, agora, depois do centenário, a cidade cresceu, muita gente veio para cá para dar a sua contribuição e aí é um novo momento histórico da cidade.
