Um ano após a deflagração, a Polícia Civil ainda não tem resposta sobre a conclusão do inquérito relacionado à Operação Zona Restrita, que investiga uma suposta fraude no processo de licitação destinada à contratação de uma empresa para administrar o estacionamento rotativo da Zona Azul, que funciona no Centro de Presidente Prudente (SP).
As diligências tiveram início quando mandados de busca e apreensão foram cumpridos em outubro de 2025.
A Polícia Civil informou ao ifronteira.com que o inquérito policial ainda continua em andamento em outubro de 2026. Além disso, conforme a corporação, as informações serão divulgadas quando o procedimento for finalizado.

A Operação Zona Restrita foi deflagrada no dia 6 de outubro de 2025 e cumpriu quatro mandados de busca e apreensão autorizados pela Justiça. Um deles no prédio da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Cooperação em Segurança Pública (Semob), outros dois nas casas de dois servidores públicos municipais e um quarto no endereço que poderia estar relacionado a um desses funcionários, mas não foi confirmado.
A ação resultou no recolhimento de celulares, computadores e pendrives. O objetivo foi aprofundar as investigações sobre possíveis irregularidades no processo de licitação para contratação de uma empresa para administrar o serviço da Zona Azul.

Em setembro de 2025, a Prefeitura suspendeu a licitação após recomendação do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPE-SP). O Poder Executivo, em princípio, havia informado que era necessária a adequação do edital, mesmo motivo já apontado em uma primeira suspensão que tinha acontecido em agosto do mesmo ano.
O MPE-SP pediu a revogação do certame depois de ter recebido denúncias de que o edital e o estudo de viabilidade da licitação não teriam sido elaborados pela equipe técnica municipal, como exige a licitação, mas, sim, por terceiros ligados a uma empresa que participaria do procedimento.
Além disso, segundo a Polícia Civil, haveria outros indícios de direcionamento e quebra da impessoalidade no processo licitatório.
A concorrência pública nº 25/2025 tinha o valor de quase R$ 18,5 milhões, com prazo de 15 anos renováveis por mais 15.
Quando anunciado pela primeira vez, ainda em agosto de 2025, a Semob afirmava que a ideia do município era implantar um modelo de gestão da Zona Azul em formato digital e informatizado, em conformidade com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB).
A Zona Azul é alvo frequente de reclamações tanto por parte de quem usa o sistema, por dificuldade em encontrar pontos de venda dos cartões, quanto do comércio, já que muitas lojas deixaram de vender as folhas do estacionamento.
Em meio a esses questionamentos, a Prefeitura havia anunciado na época um aumento nos valores da Zona Azul: de R$ 1,50 para R$ 2,50 por uma hora e de R$ 3 para R$ 5 por duas horas.
O resultado da perícia do conteúdo do material apreendido na operação pode revelar não apenas se houve a prática fraudulenta, mas também quem seriam os eventuais envolvidos, tanto da empresa que participaria da licitação quanto da administração pública.
Caso as investigações confirmem as irregularidades, as consequências podem resultar na responsabilização administrativa e criminal dos supostos envolvidos.

No dia 5 de maio de 2026, o então secretário de Mobilidade Urbana e Cooperação em Segurança Pública, Adauto Bibiano da Silva Júnior, pediu exoneração do cargo.
Em 11 de maio, Rodnei Rena Rodrigues foi nomeado como o substituto para assumir a pasta, cargo que segue a ocupar até a atualidade.
O ifronteira.com pediu um posicionamento oficial da Prefeitura de Presidente Prudente em relação ao caso, porém, a administração pública municipal preferiu não se manifestar.
