Produtora prudentina une reggae jamaicano à brasilidade preta do funk, do hip-hop e do samba para expandir evento periférico

Caixa Preta decidiu formatar experiência mais intensa em 2026.

Por: Lucas Dantas, ifronteira.com
08/05/2026 às 06:00
ReQuebra, em Presidente Prudente (SP) |
ReQuebra, em Presidente Prudente (SP) | Foto: Mariane Oliveira

Ao unir o balanço do reggae jamaicano com a brasilidade preta do funk, hip-hop e samba, a produtora prudentina Caixa Preta expande o evento independente e periférico ReQuebra para o Espaço Cultural Oficina de Macacos, em Araçatuba (SP).

De acordo com Saulo Vinícius Alves da Silva, o DJ Afrodeus, que está à frente da produtora, o projeto faz parte da ReQuebra Tour, iniciativa que leva a experiência dos eventos realizados em Presidente Prudente (SP) para outras cidades do interior de São Paulo.

 

“A essência do ReQuebra é estar em movimento. O nome já entrega: é o corpo que se quebra e se refaz no ritmo, é o reggae se movendo em direção à quebrada. É, sem dúvida, um manifesto cultural porque ele afirma a existência de uma produção independente, preta e periférica no interior paulista”, explicou o artista ao ifronteira.com.

 

O projeto surgiu em 2025. No início, era realizado na Praça dos Imigrantes, no Jardim das Rosas, mas em 2026, a Caixa Preta decidiu formatar para uma experiência maior e mais intensa.

 

“Isso vem da necessidade de ver a nossa estética, que bebe na fonte do sound system, traduzida em uma experiência que faça sentido para a nossa realidade no interior onde esses ritmos não possuem tanto espaço. No evento, isso se traduz em um ambiente onde o público se sente parte de algo maior, onde a música é o fio condutor de uma identidade coletiva que chamamos de bailestyle”, complementou.

 

ReQuebra era realizado na Praça dos Imigrantes, no Jardim das Rosas | Foto: Arquivo/Caixa Preta

 

Equilibrar o peso do dub/dancehall, gênero musical derivado do reggae jamaicano, com o funk e o hip-hop brasileiro, é um processo natural para quem entende que o grave é o coração da música preta.

 

“O que dá a fundação, o peso que reverbera no peito, enquanto o funk e o hip-hop trazem a urgência e o balanço do agora. A gente enxerga esses gêneros como galhos de uma mesma árvore onde a ancestralidade está na batida e a atualidade está na lírica e no flow. Na técnica, a união entre o dancehall e o funk acontece pelo diálogo entre as frequências. O grave do dancehall prepara o terreno, criando aquela atmosfera densa, e o funk chega com a rítmica quebrada que convida ao movimento mais explosivo", explicou o DJ ao ifronteira.com

 

Segundo ele, essa mistura de ritmos é uma transição que respeita o tempo da pista, que conecta o balanço jamaicano com a malemolência brasileira. “O segredo é entender que ambos os estilos nasceram da rua e para a rua, hoje ao mesmo tempo o funkhall que é gênero que surge dessa fusão”.

O ambiente é pensado para ser um refúgio de brasilidade preta e cultura latina. A energia da pista se une com o visual, a fumaça e o calor do corpo das pessoas.

 

DJ Afrodeus no ReQuebra, em Presidente Prudente (SP) | Foto: Mariane Oliveira

 

O ReQuebra abraça uma comunidade diversa e plural, mas com um núcleo comum, conforme Afrodeus: jovens criativos, artistas independentes e pessoas periféricas, pretas, LGBTQIAPN+ e mulheres que buscam um espaço seguro onde a sua cultura seja a protagonista. Não o exótico colocado em um segundo palco ou apenas na abertura do baile.

 

“O que o público encontra aqui e em nenhum outro lugar é a curadoria afetiva. Não é apenas um monte de DJs em uma festa sem propósito, a partir da festa propomos a construção de uma narrativa. Oferecemos um ecossistema criativo itinerante que valoriza o produtor local, o artista regional e cria um intercâmbio real entre as cidades do interior”, acrescentou.

 

O produtor contou também que, ao levar o ReQuebra para Araçatuba ou qualquer outra cidade da tour, que incluem Assis (SP), Bauru (SP) e Londrina (SP), a Caixa Preta carrega a "mão" de Presidente Prudente.

 

“Essa vontade de profissionalizar a cena, o rigor técnico da produção e a nossa identidade visual marcante. O ReQuebra é, sim, uma vitrine criativa. Ele projeta nossa cena ao mostrar que ‘o interior profundo’ de São Paulo produz com estética refinada e conceito sólido”, explicou.

 

De acordo com Afrodeus, cada cidade tem seu tempo de "entender" o grave, mas o ritmo é universal.

 

“A gente chega respeitando a cena local, sempre colocando artistas da própria cidade que já são referência para o público, mas com a convicção de que a nossa mistura é necessária para oxigenar os ouvidos de quem já cansou das mesmas propostas de sempre e mostrar que a música preta é um oceano sem fronteiras. No fim, quando o grave bate, todo mundo fala a mesma língua”, concluiu.

 

ReQuebra, em Assis (SP) | Foto: Marcela

 

Serviço

 

O ReQuebra acontece neste sábado (9), às 21h, no Espaço Cultural Oficina de Macacos, que fica na Rua Rio de Janeiro, nº 996, em Araçatuba.

As atrações do evento serão as seguintes:

 

  • DJ Afrodeus, de Presidente Prudente;
  • Onira, de Assis;
  • Breu, de Marília (SP);
  • Ogilvs, de Araçatuba
  • Naomy, de Araçatuba
  • Ananda, de Araçatuba; e
  • Edu, de Araçatuba.

 

Os ingressos podem ser adquiridos pelo link aqui.

 

ReQuebra, em Presidente Prudente (SP) | Foto: Mariane Oliveira
ReQuebra, em Presidente Prudente (SP) | Foto: Mariane Oliveira
ReQuebra, em Presidente Prudente (SP) | Foto: Mariane Oliveira
ReQuebra, em Assis (SP) | Foto: Marcela
ReQuebra, em Assis (SP) | Foto: Marcela
ReQuebra, em Assis (SP) | Foto: Marcela
ReQuebra, em Presidente Prudente (SP) | Foto: Mariane Oliveira
ReQuebra, em Presidente Prudente (SP) | Foto: Mariane Oliveira
ReQuebra, em Presidente Prudente (SP) | Foto: Mariane Oliveira
ReQuebra, em Presidente Prudente (SP) | Foto: Mariane Oliveira
ReQuebra, em Presidente Prudente (SP) | Foto: Mariane Oliveira
ReQuebra, em Presidente Prudente (SP) | Foto: Mariane Oliveira
DJ Afrodeus no ReQuebra, em Presidente Prudente (SP) | Foto: Mariane Oliveira
ReQuebra, em Presidente Prudente (SP) | Foto: Mariane Oliveira
ReQuebra, em Assis (SP) | Foto: Marcela