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Ao reunir músicos de diferentes gerações do Oeste Paulista, espetáculo ‘Choro Sinfônico’ ocorre nesta quarta-feira

Ingressos podem ser retirados no Projeto Guri, localizado no Centro Cultural, das 8h às 11h e das 13h30 às 17h30.

Por: Júlia Guimarães, ifronteira.com
09/06/2026 às 09:39
Ingressos podem ser retirados no Projeto Guri das 8h às 11h e das 13h30 às 17h30 |
Ingressos podem ser retirados no Projeto Guri das 8h às 11h e das 13h30 às 17h30 | Foto: Liliane Maria Brito

Ao reunir músicos de diferentes gerações do Oeste Paulista, a Companhia do Choro de Presidente Prudente realizará na quarta-feira (10) o espetáculo “Choro Sinfônico”, às 20h, no Teatro Paulo Roberto Lisbôa, que fica no Centro Cultural Matarazzo, na Vila Marcondes, em Presidente Prudente (SP). 

O concerto tem caráter beneficente. Os ingressos são gratuitos e podem ser retirados mediante a doação de um quilo de alimento não perecível. 

Os ingressos podem ser retirados no Projeto Guri, localizado no Centro Cultural Matarazzo. A retirada acontece das 8h às 11h e das 13h30 às 17h30.

Uma parte dos ingressos também será reservada para retirada no dia do evento, no entanto, essa disponibilidade estará sujeita à lotação do teatro.

A Companhia do Choro é um coletivo de músicos unidos pela paixão e pelo estudo do choro, um dos gêneros mais importantes da música brasileira.

O maestro Marlon Camatari informou ao ifronteira.com que o grupo busca preservar essa tradição, mas também apresentar o choro para novos públicos por meio de concertos, projetos educativos e apresentações que valorizam tanto a história quanto a atualidade dessa linguagem musical.

O Choro Sinfônico reúne 40 músicos, entre integrantes da Companhia do Choro e músicos convidados da orquestra. 

 

“Trata-se de um projeto que une diferentes formações, experiências e gerações em torno de um objetivo comum: valorizar a música brasileira e ampliar o acesso à cultura”, explica Camatari.

 

O projeto reúne os instrumentos tradicionais de uma orquestra sinfônica com aqueles que formam a base dos regionais de choro. 

 

“Do lado da orquestra, contamos com instrumentos das famílias das cordas, madeiras, metais e percussão sinfônica. Já do universo do choro, estão presentes instrumentos fundamentais para a identidade do gênero, como pandeiro, surdo, reco-reco, cavaquinho, violão de sete cordas, violão de seis cordas e bandolim. Essa combinação cria uma sonoridade muito rica, permitindo que a delicadeza, a criatividade e a identidade brasileira do choro dialoguem com a grandiosidade e as possibilidades sonoras da orquestra sinfônica”, destaca o maestro.

 

Ingressos podem ser retirados no Projeto Guri das 8h às 11h e das 13h30 às 17h30 | Foto: Liliane Maria Brito

 

Companhia do Choro

 

Camatari explica que a Companhia do Choro surgiu do desejo de reunir músicos interessados em estudar, praticar e divulgar o choro de forma séria e comprometida. 

 

“O grupo nasceu da necessidade de manter viva essa tradição musical, criando espaços para aprendizado, convivência e troca de experiências entre diferentes gerações de músicos”, pontua.

 

Assim, o grupo é formado por músicos de Presidente Prudente e região, reunindo diferentes gerações, experiências e trajetórias musicais.

Fazem parte do projeto professores e alunos do Projeto Guri, professores da Escola de Artes Jupyra Cunha Marcondes, além de músicos e amigos que representam importantes gerações do choro prudentino.

 

“Um dos aspectos mais bonitos do grupo é, justamente, esse encontro entre músicos mais experientes e jovens em formação, criando um ambiente de troca de conhecimentos, convivência e aprendizado mútuo”, destaca o maestro.

 

Ele ainda afirma que os ensaios são uma parte fundamental do processo. 

 

“Costumo dizer que um grupo de choro consegue ensaiar praticamente em qualquer lugar. Basta reunir os músicos, algumas cadeiras e, de preferência, uma boa sombra. Essa é uma das características mais bonitas do choro: ele nasceu da convivência, do encontro e da prática coletiva. Mas quando falamos de um projeto como o ‘Choro Sinfônico’, a realidade é um pouco diferente. Estamos reunindo 40 músicos, entre integrantes da Companhia do Choro e da orquestra, o que exige uma estrutura maior e um espaço adequado para os ensaios. Para este concerto, os ensaios estão sendo realizados em uma sala preparada para atividades musicais no Centro Cultural Matarazzo, onde temos as condições necessárias para desenvolver o trabalho e construir essa sonoridade que o público poderá ouvir no concerto’, detalha.

 

Ele também explica ao ifronteira.com que a Companhia do Choro já realizou apresentações e concertos em diferentes ocasiões, porém com formações menores.

“O concerto do dia 10 de junho marca um momento especial na trajetória do grupo, pois será a primeira vez que apresentaremos esse trabalho com uma formação desse porte, reunindo 40 músicos entre integrantes da Companhia do Choro e da orquestra. Para este projeto, estamos apresentando tanto arranjos originais de Pixinguinha, que se adaptam muito bem a formações menores, quanto arranjos especialmente escritos para o Choro Sinfônico. Isso permite ao público conhecer diferentes sonoridades e perceber como a riqueza do choro dialoga de forma natural com a linguagem orquestral”, afirma.

 

“É um concerto que celebra a tradição do choro, mas também mostra como essa música continua viva, atual e capaz de se renovar sem perder sua essência”, complementa.

 

Ingressos podem ser retirados no Projeto Guri das 8h às 11h e das 13h30 às 17h30 | Foto: Liliane Maria Brito

 

Repertório

 

Camatari compartilha que o repertório foi cuidadosamente escolhido para representar a riqueza e a diversidade do choro brasileiro. 

 

“O público ouvirá obras de grandes compositores que ajudaram a construir a identidade da música brasileira, como Pixinguinha, Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga, Jacob do Bandolim, Waldir Azevedo e outros nomes fundamentais da nossa tradição musical”, ressalta.

 

O concerto também apresenta uma combinação muito interessante de arranjos. Teremos arranjos originais de Pixinguinha, que continuam impressionando pela qualidade musical e pela forma como valorizam cada instrumento, além de arranjos da compositora e arranjadora Juliana Ripke, que vem realizando um trabalho de destaque no cenário musical brasileiro.

 

“Além disso, algumas obras receberam arranjos especialmente preparados por mim para esta formação, buscando respeitar a essência do choro e, ao mesmo tempo, explorar todas as possibilidades sonoras que uma formação sinfônica oferece”, completa.

 

Na apresentação, o público terá a oportunidade de vivenciar um encontro entre duas grandes riquezas da música: a espontaneidade, a criatividade e a identidade brasileira do choro, unidas à grandiosidade sonora de uma orquestra sinfônica.

 

“Será uma oportunidade de ouvir obras consagradas do nosso patrimônio musical em arranjos especiais, além de vivenciar uma experiência artística acessível e emocionante”, afirma.

 

Ingressos podem ser retirados no Projeto Guri das 8h às 11h e das 13h30 às 17h30 | Foto: Liliane Maria Brito

 

Mistura do choro com uma orquestra sinfônica

 

Ao ifronteira.com, Camatari explica que misturar o choro e uma orquestra sinfônica é uma experiência muito especial e, ao mesmo tempo, bastante natural. 

 

“Embora muitas pessoas enxerguem esses universos como diferentes, eles possuem muito mais pontos em comum do que se imagina. Tanto o choro quanto a música sinfônica exigem estudo, sensibilidade, escuta coletiva e um profundo respeito pela música. A orquestra amplia as possibilidades sonoras do choro, trazendo novas cores, timbres e texturas, sem que ele perca sua essência. Ao mesmo tempo, o choro leva para a orquestra toda a sua riqueza rítmica, sua espontaneidade e sua identidade genuinamente brasileira. Embora os instrumentos sejam diferentes, o objetivo é o mesmo: fazer música de qualidade, emocionar o público e valorizar a riqueza da cultura brasileira.Mais do que um encontro entre estilos musicais, o Choro Sinfônico é um encontro entre tradições que demonstram a força, a sofisticação e a beleza da música brasileira”, conceitua.

 

Ele também esclarece que o choro nasceu em ambientes mais informais, valorizando a improvisação, a interação entre os músicos e a prática coletiva. 

Já a orquestra sinfônica possui uma estrutura maior, com repertório normalmente escrito em detalhes e uma organização diferente. 

Apesar disso, ambos exigem estudo, sensibilidade e alto nível musical.

 

“Os dois universos compartilham elementos importantes, como o cuidado com a interpretação, a riqueza dos arranjos, a valorização da melodia e a necessidade de escuta coletiva. Tanto no choro quanto na música sinfônica, ninguém faz música sozinho; o resultado depende da colaboração entre todos os músicos”, destaca Camatari.

 

 

Música brasileira

 

O maestro pontua que o choro é considerado a primeira música urbana genuinamente brasileira. 

 

“Ele ajudou a construir a identidade da nossa música e serviu de base para diversos outros gêneros que surgiram posteriormente. Conhecer o choro é compreender uma parte fundamental da história cultural do Brasil. O choro influenciou profundamente a linguagem musical brasileira. Sua riqueza melódica, harmônica e rítmica serviu de inspiração para compositores de diferentes estilos e épocas. Muitos dos elementos presentes na música popular brasileira têm raízes no choro ", detalha.

 

Ele também afirma que o choro continua extremamente atual. 

Além de ser uma das maiores escolas de formação musical do Brasil, ele segue influenciando músicos de diferentes estilos por sua riqueza melódica, harmônica e rítmica.

 

“É importante lembrar que o choro é considerado a primeira música urbana genuinamente brasileira. Preservar e difundir essa tradição é uma forma de preservar a nossa própria identidade cultural”, completa.

 

Ingressos podem ser retirados no Projeto Guri das 8h às 11h e das 13h30 às 17h30 | Foto: Liliane Maria Brito

 

Choro em Presidente Prudente

 

Camatari disse que, em Presidente Prudente, felizmente, existe um movimento forte de valorização do choro, com diversos grupos em atividade e músicos dedicados ao estudo e à divulgação dessa linguagem musical.

 

“Muito desse trabalho foi construído por pessoas fundamentais para a história do choro na cidade, como Luiz Ramos, Serginho Duran, representantes de uma geração que manteve viva essa tradição. Eu tenho o privilégio de ser discípulo do Luiz Ramos, meu mestre, e carrego muitos dos ensinamentos dele na minha trajetória musical. Luiz e Serginho estarão presentes nesse evento tocando. Hoje, tenho a felicidade de participar dos grupos de choro da cidade e também de idealizar a Companhia do Choro, que nasceu justamente desse desejo de fortalecer, preservar e compartilhar essa importante manifestação da cultura brasileira”, afirma.

 

O número de chorões, que são as pessoas praticantes do choro, está cada vez maior. 

 

“Presidente Prudente possui uma tradição importante ligada ao choro e, atualmente, conta com diversos músicos, grupos e iniciativas voltadas ao estudo e à prática desse gênero musical. O que vemos hoje é o resultado de um trabalho construído ao longo de décadas por músicos que acreditaram na importância dessa cultura. Felizmente, novas gerações também têm se aproximado do choro, garantindo que essa tradição continue viva e em constante renovação”, finaliza.

 

Ingressos podem ser retirados no Projeto Guri das 8h às 11h e das 13h30 às 17h30 | Foto: Liliane Maria Brito