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Por que a rejeição dói tanto?

Estudos revelam que a rejeição ativa regiões do cérebro semelhantes às envolvidas no processamento da dor física.

Por: Joselene Alvim
20/07/2026 às 08:00
Rejeição |
Rejeição | Foto: Pixabay

A dor da rejeição é um dos grandes sofrimentos da vida humana. Todos nós já enfrentamos alguma em algum momento da vida, seja pelo fim de um relacionamento, pela decepção com um amigo, pela perda de um emprego ou até mesmo dentro da própria família. 

Independente da situação, trata-se de uma experiência dolorosa, que costuma deixar marcas, muitas delas profundas, e cada um tem uma história para contar sobre isso. 

A intensidade desse sofrimento está diretamente relacionada ao tipo de vínculo estabelecido ou às expectativas envolvidas. No caso dos relacionamentos afetivos, quanto maior a idealização sobre o outro, maior a crença de que as nossas necessidades serão plenamente supridas. E é justamente essa fantasia que dificulta uma clara visão de quem o outro realmente é, favorecendo a decepção. 

Quem já passou por essa experiência costuma relatar uma dor que, embora emocional, parece se tornar física. E a neurociência tem uma explicação para isso. Estudos revelam que a rejeição ativa regiões do cérebro semelhantes às envolvidas no processamento da dor física. Em outras palavras, o cérebro reage ao abandono de uma forma muito parecida como responde a dor de um machucado. 

Apesar da dor, a forma de enfrentar a rejeição depende de diversos fatores, como a personalidade, a história de vida, os recursos emocionais e o significado atribuído ao que aconteceu. Assim, enquanto alguns conseguem elaborar a dor após um breve período, outros enfrentam dificuldades e, em alguns casos, sentem que a vida fica paralisada.     

De qualquer forma, o impacto na autoestima pode desencadear sintomas de ansiedade e depressão. Outros passam a ter dificuldades para estabelecer novos relacionamentos, adotando posturas defensivas ou críticas em relação ao outro, por receio de uma nova rejeição. Com isso, acabam não permitindo que a relação se desenvolva no seu próprio tempo. Pensamentos como “não sou bom o suficiente” enfraquecem a autoestima e favorecem o isolamento.

A necessidade de ser aceito é uma condição básica do ser humano. No entanto, quando o valor pessoal depende exclusivamente da aprovação e da validação do outro, é claro que haverá sofrimento, já que não temos controle sobre os sentimentos e as escolhas das outras pessoas. 

Por isso, esperar que apenas o tempo resolva não é a solução. É preciso abrir espaço para questionar as crenças negativas, olhar para seus medos e, fundamentalmente, reconhecer o próprio valor. A forma como nos tratamos após a rejeição é determinante para nossa saúde emocional. 

 

 Joselene Alvim
Joselene Alvim
Jô Alvim é psicóloga clínica. Mestre em Educação (UNESP). Especialista em Neuropsicologia (USP). Apaixonada por comportamento, é professora de graduação e pós-graduação.