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As noites mal dormidas

Como a insônia afeta nosso cérebro.

Por: Joselene Alvim
27/07/2026 às 08:00
Sono |
Sono | Foto: Nubelson Fernandes/unsplash

Quando o despertador toca logo pela manhã, nos lembrando dos compromissos do dia, nem sempre pulamos da cama animados, mesmo após uma boa noite de sono. Imagine, então, quem acorda várias vezes a noite ou dorme apenas poucas horas? 

As noites mal dormidas, ocasionadas pela insônia, interferem no funcionamento do cérebro, e seus impactos podem ser observados na dificuldade de concentração, na tendência a cometer erros, na irritabilidade, nas alterações da memória, no aumento da impulsividade, na queda da produtividade, na dificuldade para tomar decisões e, claro, na sonolência diurna que, em ambientes de trabalho, pode até mesmo ser confundida com preguiça. Além disso, a falta de sono também afeta o metabolismo, favorecendo o ganho de peso.

E não pense que a insônia é sinônimo apenas de passar noites em claro. Ela pode se manifestar de diferentes formas, como dificuldade para iniciar o sono, acordar várias vezes durante a noite ou muito antes do horário previsto, sem conseguir voltar a dormir. 

O sono é uma das necessidades básicas do ser humano, e dormir deveria ser um ato natural. Porém, nos últimos anos, a qualidade do sono tem sido significativamente comprometida, inclusive entre pessoas sem histórico de insônia, tornando-se uma das queixas mais frequentes nos consultórios. As razões são diversas: ansiedade elevada, depressão, estresse, perdas afetivas, problemas emocionais, doenças, entre outras. 

Durante o dia, em meio a tantas atividades, a mente consegue se distrair e não pensar nas preocupações. Entretanto, à noite, quando há uma redução significativa dos estímulos externos, as preocupações voltam a ocupar o centro dos pensamentos, e tentamos encontrar soluções as três da manhã!

Mas não é só isso. Em uma sociedade hiperconectada, marcada por cobranças constantes, dormir bem tornou-se um desafio. O uso de computadores, celulares e outros dispositivos eletrônicos antes de dormir não colabora, pois mantêm o cérebro estimulado. A luz emitida pelas telas inibe a produção de melatonina, hormônio essencial para o início do sono. 

Além disso, os conteúdos consumidos na Internet, como vídeos, notícias ou jogos, também podem deixar o cérebro em estado de alerta. Não é incomum ouvir relatos de pessoas que afirmam ter dormido sete ou oito horas, mas acordam cansadas, com a sensação de que não descansaram.

É claro que passar algumas noites mal dormidas faz parte da vida e não caracteriza, por si só, quadro de insônia. O problema surge quando essa dificuldade persiste por semanas ou meses, causando prejuízos na rotina diária. Nesses casos, é preciso investigar o que está por trás desse sintoma.

Em uma sociedade voltada para a produtividade e o imediatismo, dormir, para muitos, pode parecer perda de tempo. Um grande equívoco, pois, ao contrário do que se imagina, dormir menos não resulta em melhor desempenho. Compreender os nossos limites também inclui respeitar a necessidade de descansar para vivermos com qualidade de vida. Cuidar do sono é cuidar da mente.

 Joselene Alvim
Joselene Alvim
Jô Alvim é psicóloga clínica. Mestre em Educação (UNESP). Especialista em Neuropsicologia (USP). Apaixonada por comportamento, é professora de graduação e pós-graduação.