Recentemente, uma criança de apenas seis anos ganhou grande repercussão nas redes sociais ao declarar que gosta de fazer aulas de balé. Certamente, trata-se de uma declaração comum, como tantas outras, se não tivesse sido feita por um menino. Sim! Romeu, morador do Paraná, gravou um vídeo relatando sofrer preconceito, críticas e comentários ofensivos por dançar balé, além de usar cabelo amarrado.
Entretanto, é um caso que não começa apenas na escola. Ele surge quando aprendemos a não respeitar as diferenças, sejam elas direcionadas à aparência física, à cor da pele, à raça ou às preferências pessoais, transformando-as em motivo de piada e, infelizmente, naturalizando esse comportamento sob a justificativa de que “é apenas uma brincadeira”.
O fato é que provocações, discriminações, críticas, apelidos e ataques podem até parecer divertidos para quem os pratica, mas causam sofrimento para quem é alvo deles. As consequências podem afetar o desempenho escolar, os relacionamentos e, principalmente, a autoestima, favorecendo o desenvolvimento de ansiedade e até de sintomas depressivos. Trata-se de uma atitude totalmente isenta de empatia e que vai na contramão de uma sociedade que sempre defende a legitimidade dos direitos e o respeito às diferenças.
O bullying não é um assunto novo. Apesar das inúmeras campanhas e debates, ainda é uma prática muito recorrente. Trata-se de uma violência intencional, agressiva e repetitiva, que pode se manifestar de diversas formas como a física, psicológica, verbal, social, moral, material, sexual ou virtual. Muitas dessas manifestações nem sempre são percebidas pela maioria das pessoas, justamente porque foram naturalizadas como simples brincadeiras.
Por isso, os adultos, sejam pais, professores ou cuidadores, têm um papel fundamental na prevenção. É preciso ensinar que é possível pensar diferente e, ainda assim, tratar o outro com respeito, pois não existe uma verdade única. Quem acredita ser o único detentor da verdade, invariavelmente, considera que apenas a própria opinião tem valor, o que alimenta a intolerância, desvalorizando o olhar ao próximo, a compaixão e o compromisso com o bem comum.
O caso de Romeu nos faz refletir sobre o tipo de sociedade que estamos construindo. Seja criança ou adulto, ninguém deveria ser desvalorizado por ser quem é. Isso inclui suas preferências, talentos e habilidades. Todos nós sonhamos com uma sociedade mais justa. E, se queremos ser respeitados, precisamos contribuir para a construção de um ambiente que estimule o desenvolvimento emocional, a empatia e o respeito às diferenças.