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Relacionamento: como seguir depois do fim?

O luto não é um sinal de fraqueza, mas sim o cérebro tentando se reorganizar.

Por: Joselene Alvim
24/08/2026 às 08:01
Separação |
Separação | Foto: Gerd Altmann - Pixabay

Quando um relacionamento chega ao fim, um turbilhão de emoções toma conta da mente e do corpo. É um processo doloroso em que se misturam tristeza, saudade, mas também raiva e sentimentos de vingança, principalmente para aqueles que não tomaram a decisão. 

Aceitar o término é difícil e cada um reage de uma maneira. Há desde aqueles que insistem em uma nova chance, com propostas de fazer o relacionamento dar certo, mesmo que o outro tenha sido claro sobre o fim, até aqueles que buscam aquela última conversa para compreender as razões do término - uma fantasia de que a resposta aliviará a dor e, a partir daí, a pessoa vai seguir em paz, o que raramente acontece.

Um ponto final não é tão simples. A separação não implica apenas a perda de uma pessoa e das expectativas criadas sobre ela e o relacionamento. Perde-se também a rotina, os hábitos compartilhados, os projetos, os sonhos e até a versão de si mesmo que existia naquela relação. Daí a sensação de vazio.

Alguns, como forma de negação, ficam presos à esperança de que o outro em algum momento vai se arrepender e pedir para voltar, mesmo que a realidade insista em mostrar que não. Tal comportamento é uma tentativa de fuga para aqueles momentos de angústia. 

Por isso, o luto não é um sinal de fraqueza, mas sim o cérebro tentando se reorganizar. Há um neurotransmissor chamado dopamina que, dentre outras funções, nos proporciona a sensação de prazer e recompensa. Selecionar apenas as boas memórias sobre a pessoa amada, deixando de lado as lembranças das brigas e outros aspectos negativos do relacionamento, ativa a dopamina, aumentando ainda mais o desejo de ter a pessoa de volta e agravando a situação. 

Assim, conviver com a ausência do outro, e de tudo que estava ao redor daquela relação e se adaptar à nova rotina leva tempo. E o tempo, atravessá-lo, dia após dia, talvez seja uma das tarefas mais difíceis para quem desejou que as coisas fossem diferentes. 

Não há uma receita pronta para superar o término de um relacionamento, pois cada pessoa tem sua maneira de elaborar as perdas. Daí a importância de não engatar outro relacionamento, como muitas pessoas sugerem. É mais uma fuga para não enfrentar a dor, o que só fará aumentá-la.  É importante buscar preencher o tempo com situações mais próximas da realidade e não da imaginação: encontrar amigos, resgatar hobbies ou sonhos adormecidos, dar espaço a novas experiências, além de (re) aprender a gostar da própria companhia. 

No processo de luto, há pessoas à nossa volta que nos amparam e nos ajudam, mas as transformações surgem apenas de nós e não do outro. Neste período de reconstrução, o primeiro passo é o autoconhecimento: buscar compreender a si mesmo, olhar para os seus medos e suas defesas. Ressignificar a dor da perda é transformá-la em aprendizado. É uma descoberta de si.

 Joselene Alvim
Joselene Alvim
Jô Alvim é psicóloga clínica. Mestre em Educação (UNESP). Especialista em Neuropsicologia (USP). Apaixonada por comportamento, é professora de graduação e pós-graduação.