No início era uma tristeza, comum a tantos outros dias da vida que, pouco a pouco, foi se ampliando, acompanhada de um olhar distante, sem expressão, e da falta de vontade de fazer coisas que anteriormente despertavam interesse. Sair de casa ou sustentar uma conversa passou a ser uma tarefa difícil e cansativa. O que costumava trazer alegria deixa de ter graça. Sorrir, então, torna-se uma dificuldade imensa.
Sabemos que mudanças fazem parte da vida, mas nem sempre para melhor. Lidar com perdas - de oportunidades, de saúde, de entes queridos, de idealizações - não é fácil. Porém, apesar da dor, muitas vezes, conseguimos elaborar, superar e seguir. Em outras situações, para algumas pessoas, a experiência dolorosa, pode desencadear um quadro de depressão. Esta é diferente da tristeza, que é apenas um sentimento inerente ao ser humano diante de adversidades e que, na maioria das vezes, tende a ser passageiro.
A depressão é uma doença. Ela transcende a tristeza, pois é persistente e interfere de maneira significativa no dia a dia da pessoa, seja no sono, no apetite, no trabalho, nos passatempos, na motivação, enfim, na capacidade de sentir prazer. Entretanto, como a tristeza é o sintoma popularmente mais associado a ela, é comum as pessoas ao redor considerem que alguém deprimido não melhora porque “não se esforça”, “não reage” ou “só pensa negativamente”.
Não é tão simples. Não é só uma questão de boa vontade.
Há muitas pessoas à nossa volta cujo humor se encontra deprimido, mas que, por realizarem as atividades diárias, mesmo fazendo um esforço enorme para concluí-las, consideramos que estão bem. Entretanto, internamente, experimentam vazio e desesperança.
A depressão não altera apenas o humor. Ela afeta diretamente a autoestima levando a pessoa a diminuir progressivamente a confiança em si própria, alterando a maneira como a interpreta a si mesma. Com isso, passa a sentir medo e insegurança até mesmo diante de pequenas realizações. Pensamentos como “não sou bom” ou “não adianta tentar” podem se tornar frequentes, parecendo verdades absolutas. Por isso, há muita desinformação sobre a depressão quando ela é associada simplesmente à falta do que fazer, à fraqueza ou ao fingimento.
Outro mito é considerar que a depressão é sinônimo de alguém chorando o tempo todo. Não. Algumas pessoas, por exemplo, apresentam irritação, impaciência, queixas físicas ou mostram-se emocionalmente distantes.
Por isso, conhecer os sintomas, diferenciá-los do que é considerado apenas uma tristeza, além de perceber quando o sofrimento provoca prejuízos importantes na rotina, é fundamental. Acolher sem julgar e oferecer presença fará com que a pessoa que está passando por isso sinta que não está sozinha. Nesse sentido, incentivar a busca de ajuda especializada promove a saúde mental, o desenvolvimento de perspectivas mais positivas e o retorno ao sentido da vida.
Se você já passou por isso ou conhece alguém que esteja enfrentando esse momento, compartilhe este texto com quem precisa desta leitura.