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Depressão: muito além da falta de vontade

Os dias cinzentos da depressão.

Por: Joselene Alvim
14/09/2026 às 08:01
Depressão |
Depressão | Foto: Andrew Patrick Photo - Pexels

No início era uma tristeza, comum a tantos outros dias da vida que, pouco a pouco, foi se ampliando, acompanhada de um olhar distante, sem expressão, e da falta de vontade de fazer coisas que anteriormente despertavam interesse. Sair de casa ou sustentar uma conversa passou a ser uma tarefa difícil e cansativa. O que costumava trazer alegria deixa de ter graça. Sorrir, então, torna-se uma dificuldade imensa.

Sabemos que mudanças fazem parte da vida, mas nem sempre para melhor. Lidar com perdas - de oportunidades, de saúde, de entes queridos, de idealizações - não é fácil. Porém, apesar da dor, muitas vezes, conseguimos elaborar, superar e seguir. Em outras situações, para algumas pessoas, a experiência dolorosa, pode desencadear um quadro de depressão. Esta é diferente da tristeza, que é apenas um sentimento inerente ao ser humano diante de adversidades e que, na maioria das vezes, tende a ser passageiro.

A depressão é uma doença. Ela transcende a tristeza, pois é persistente e interfere de maneira significativa no dia a dia da pessoa, seja no sono, no apetite, no trabalho, nos passatempos, na motivação, enfim, na capacidade de sentir prazer. Entretanto, como a tristeza é o sintoma popularmente mais associado a ela, é comum as pessoas ao redor considerem que alguém deprimido não melhora porque “não se esforça”, “não reage” ou “só pensa negativamente”.

Não é tão simples. Não é só uma questão de boa vontade. 

Há muitas pessoas à nossa volta cujo humor se encontra deprimido, mas que, por realizarem as atividades diárias, mesmo fazendo um esforço enorme para concluí-las, consideramos que estão bem. Entretanto, internamente, experimentam vazio e desesperança.

A depressão não altera apenas o humor. Ela afeta diretamente a autoestima levando a pessoa a diminuir progressivamente a confiança em si própria, alterando a maneira como a interpreta a si mesma. Com isso, passa a sentir medo e insegurança até mesmo diante de pequenas realizações. Pensamentos como “não sou bom” ou “não adianta tentar” podem se tornar frequentes, parecendo verdades absolutas. Por isso, há muita desinformação sobre a depressão quando ela é associada simplesmente à falta do que fazer, à fraqueza ou ao fingimento. 

Outro mito é considerar que a depressão é sinônimo de alguém chorando o tempo todo. Não. Algumas pessoas, por exemplo, apresentam irritação, impaciência, queixas físicas ou mostram-se emocionalmente distantes. 

Por isso, conhecer os sintomas, diferenciá-los do que é considerado apenas uma tristeza, além de perceber quando o sofrimento provoca prejuízos importantes na rotina, é fundamental. Acolher sem julgar e oferecer presença fará com que a pessoa que está passando por isso sinta que não está sozinha. Nesse sentido, incentivar a busca de ajuda especializada promove a saúde mental, o desenvolvimento de perspectivas mais positivas e o retorno ao sentido da vida. 

Se você já passou por isso ou conhece alguém que esteja enfrentando esse momento, compartilhe este texto com quem precisa desta leitura.

 Joselene Alvim
Joselene Alvim
Jô Alvim é psicóloga clínica. Mestre em Educação (UNESP). Especialista em Neuropsicologia (USP). Apaixonada por comportamento, é professora de graduação e pós-graduação.