Começa do nada. Você está em uma festa se divertindo, concentrado no trabalho, fazendo uma caminhada ou deitado lendo um livro. De repente, você sente falta de ar, dor no peito, o coração dispara, a boca seca e um formigamento toma conta do corpo. Diante dessas sensações desagradáveis, vem à sua mente uma certeza absoluta: “Eu vou morrer”. Não é raro que, nesse momento de desespero, você procure um pronto-socorro, pois considera que está sofrendo um infarto.
São sintomas que parecem intermináveis. No entanto, em poucos minutos, após atingirem o pico, eles começam a diminuir e a respiração volta ao ritmo normal. Alívio? Nem tanto, pois fica a pergunta: e se acontecer de novo?
Esta experiência “apavorante” é conhecida popularmente como Síndrome do Pânico, um transtorno de ansiedade caracterizado por ataques de pânico inesperados e recorrentes. O receio de que o episódio se repita desencadeia insegurança e ansiedade, levando a mudanças drásticas de comportamento para evitar novos ataques. Assim, tarefas cotidianas, como ir ao supermercado, dar um passeio ou sair de casa sozinho, tornam-se cada vez mais desafiadoras, comprometendo pouco a pouco a qualidade de vida.
Ao mesmo tempo que a pessoa reconhece que os medos são irracionais, ela vivencia uma sensação constante de ameaça invisível. Como fica atenta a qualquer alteração do organismo, por menor que seja, ela pode interpretar qualquer sinal como um grave problema. Por isso, não é incomum que busque companhia o tempo todo para ir a algum lugar como forma - ilusória- de sentir-se protegida.
Num primeiro momento, fugir de situações que causam tensão pode trazer alívio. Por outro lado, isso mantém a crença de que aquilo é perigoso, fortalecendo o medo.
O transtorno de pânico não tem uma causa única. Ele surge de uma combinação complexa entre herança biológica, história de vida, fatores psíquicos, ambientais e estresse acumulado. As experiências estressantes funcionam como um grande gatilho, principalmente em pessoas predispostas. E convenhamos: não é difícil isso acontecer, já que estamos mergulhados em uma sociedade marcada por pressões diárias, acúmulo de tarefas e de informações, fadiga física e mental, conflitos interpessoais e outros fatores que deflagram estresse e ansiedade. Infelizmente, os sintomas só são percebidos quando já estão trazendo prejuízos.
Há saída? Claro!
O tratamento envolve psicoterapia, associada ou não ao uso de medicamentos, sempre com acompanhamento médico. Além disso, hábitos como a prática de exercícios físicos, atividades relaxantes, reorganização do estilo de vida e, principalmente, aprender a acolher e expressar os sentimentos, principalmente em momentos de ansiedade, propiciam bem-estar e recuperam o equilíbrio..