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Você torce por você como torce pela Seleção?

O que a Copa do Mundo nos ensina sobre a autoconfiança.

Por: Joselene Alvim
15/06/2026 às 08:00
As falhas, derrotas ou fracassos podem nos ensinar que, independentemente dos desafios, seja na vida pessoal ou profissional, somos plenamente capazes de aprender |
As falhas, derrotas ou fracassos podem nos ensinar que, independentemente dos desafios, seja na vida pessoal ou profissional, somos plenamente capazes de aprender | Foto: Fauzan Saari - Unsplash

Em tempos de Copa do Mundo, é possível observar as pessoas em uma intensa mobilização emocional. As rotinas se transformam. Ruas, casas e estabelecimentos ganham tons de verde e amarelo. As pessoas vestem a camisa da seleção e, em um misto de euforia, raiva e sofrimento, acompanham cada lance. 

Nesses momentos, as rivalidades desaparecem. Não se trata do meu ou do seu time, e sim do nosso time, que representa a nossa nação. Por isso, torcemos e vibramos juntos. E mesmo diante da ameaça de derrota, ou quando a equipe não está na melhor fase, é impressionante a confiança no melhor resultado. Há uma energia coletiva que nos faz acreditar até o último minuto. 

No entanto, quando se trata de acreditar em si mesmo, nem sempre há tanta vibração.

É que muitas pessoas, no dia  a dia, diante de algum desafio, são severas e críticas quando algo não sai como planejado. Mostram a si mesmas o cartão vermelho. Têm facilidade para reconhecer os próprios erros, limitações e fracassos, mas raramente reconhecem as conquistas e os esforços. 

Pessoas com esse perfil costumam estabelecer padrões de desempenho muito elevados. Isso acontece porque acreditam que seu valor pessoal depende exclusivamente dos bons resultados que entregam. Essa necessidade incessante de validação externa as leva a dedicar mais tempo e energia além do necessário para atingir um ideal que raramente alcançam - não pela falta de competência ou esforço, mas sim por uma meta irreal, imposta por elas mesmas. Vivem em uma competição, não com outras pessoas, mas consigo mesmas. 

É preciso compreender que a nossa motivação está diretamente atrelada ao nosso sistema de crenças, ou seja, à avaliação positiva ou negativa que fazemos de nós mesmos. Por isso, é importante prestarmos atenção aos nossos sentimentos e ao tipo de pensamentos que alimentamos, pois isso determina a nossa capacidade de manter o foco – ou não – naquilo que desejamos. 

As falhas, derrotas ou fracassos podem nos ensinar que, independentemente dos desafios, seja na vida pessoal ou profissional, somos plenamente capazes de aprender, de ressignificar as experiências e de tentar novamente. É o mesmo processo de resiliência dos atletas que continuam treinando mesmo após as quedas. 

Quando se trata do ser humano, não existem padrões absolutos. Temos limites, mas também muitas potencialidades. É preciso ser mais gentil consigo mesmo e assumir o papel de ser seu próprio torcedor, valorizando as conquistas, por menores que pareçam. A autoconfiança se fortalece justamente aqui.

Acreditar em si não significa imaginar uma trajetória sem obstáculos. Pelo contrário: é ter consciência de que as dificuldades são parte do jogo, e não o fim da partida.  

 Joselene Alvim
Joselene Alvim
Jô Alvim é psicóloga clínica. Mestre em Educação (UNESP). Especialista em Neuropsicologia (USP). Apaixonada por comportamento, é professora de graduação e pós-graduação.