A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi transferida na madrugada desta sexta-feira (22) do Complexo Prisional de Santana, na zona norte de São Paulo (SP), para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista (SP). O comboio chegou por volta das 12h.
Em nota oficial enviada ao ifronteira.com, a Secretaria da Administração Penitenciária do Estado de São Paulo (SAP-SP) confirmou que Deolane deu entrada nesta sexta-feira (22), por volta de 12h, na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista.
Conforme os dados atualizados pela SAP-SP na quinta-feira (21), a penitenciária conta com uma população de 872 presas, embora a capacidade seja para 714.
Na Ala de Progressão Penitenciária (APP), a capacidade é para 72 presas e a população atual é de 80.
Já em prisão civil, são duas detentas vivendo em um espaço onde cabem quatro.
De acordo com as informações veiculadas pela Jovem Pan, o comboio responsável pela transferência deixou a unidade prisional, na capital, por volta das 5h da manhã e saiu pelo portão dos fundos do complexo para evitar a presença da imprensa e movimentações no local.
A Penitenciária Feminina de Tupi Paulista está localizada a pouco mais de 670 quilômetros da capital paulista. Inaugurada em 2011, a unidade foi criada exclusivamente para receber mulheres privadas de liberdade e possui uma estrutura diferenciada em relação a outras penitenciárias femininas do Estado.
Entre os principais projetos desenvolvidos na unidade, está o “Espaço Mãe”, voltado ao atendimento de mulheres em período de amamentação. O presídio também conta com áreas destinadas à visita íntima, além de setores específicos para atividades de ressocialização das detentas.
Outro destaque da penitenciária é a padaria artesanal instalada dentro da unidade, iniciativa criada para qualificação profissional das internas na produção de pães e produtos alimentícios. O projeto integra ações de reintegração social e capacitação profissional desenvolvidas no local.
A unidade funciona em regime misto, atendendo presas dos regimes fechado e semiaberto. A penitenciária foi construída com capacidade para abrigar 714 detentas, sendo parte das vagas destinadas ao regime fechado e outra ao semiaberto.
Antes da transferência, Deolane Bezerra estava detida em uma sala especial no Complexo de Santana, espaço normalmente utilizado para atendimentos e consultas médicas. O local teria sido preparado antes da chegada da influenciadora, com pintura nova, instalação de chuveiro elétrico e uma cama diferenciada das utilizadas pelas demais detentas da unidade.

A Operação Vérnix, deflagrada pela Polícia Civil e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPE-SP), revelou um esquema financeiro milionário utilizado para ocultar, dissimular e reinserir na economia formal valores vinculados à alta cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Deolane Bezerra foi presa nesta quinta-feira durante as investigações. Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha de Marco Willian Herbas Camacho, o Marcola, líder máximo da facção, também é alvo de mandado de prisão.
De acordo com o promotor de Justiça do Gaeco, Lincoln Gakiya, em relação às investigadas, a operação reuniu provas demonstrando o envolvimento direto e consciente de ambas no esquema de branqueamento de capitais operado pela facção.
Conforme a Polícia Civil, a ação é resultado de uma investigação construída ao longo de anos e apura lavagem de capitais relacionadas à organização criminosa.
Durante a fase ostensiva, a apreensão de um aparelho celular abriu uma nova frente investigativa. O conteúdo extraído do dispositivo revelou conversas com pessoas ligadas à cúpula da facção criminosa, além de indícios de repasses financeiros e conexões com Deolane.
A apuração ainda constatou que a influencer possuía estreitos vínculos pessoais e negociais com um dos gestores fantasmas de uma transportadora, em Presidente Venceslau (SP), reconhecida judicialmente como meio utilizado pelo crime organizado para lavagem de dinheiro.
Foi a partir desse material que nasceu a Operação Vérnix, terceira etapa da investigação, agora voltada a desarticular um esquema mais amplo de lavagem de capitais, com ramificações empresariais, patrimoniais e financeiras.
Segundo a investigação, a influenciadora passou a ocupar posição de destaque no caso em razão de movimentações financeiras expressivas, incompatibilidades patrimoniais e indícios de conexão com integrantes do núcleo de comando da organização criminosa.
Os levantamentos apontaram a utilização de pessoas jurídicas, recebimentos de origem não esclarecida, circulação de valores milionários e aquisição ou vinculação a bens de alto padrão.
Para os investigadores, a projeção pública, a atividade empresarial formal e a movimentação patrimonial eram utilizadas como camadas de aparente legalidade para dificultar a identificação da origem ilícita dos recursos.
Os afastamentos de sigilos fiscal e financeiro revelaram um fluxo vultoso de dinheiro, com cifras sem lastro econômico compatível, movimentações bancárias atípicas, contas utilizadas para passagem de valores, operações envolvendo empresas sem capacidade financeira aparente e repasses que, segundo a Polícia Civil e o Ministério Público do Estado de São Paulo, não apresentaram justificativa lícita suficiente.
A investigação também identificou o uso de estruturas empresariais e patrimoniais sucessivas, mecanismo que teria como finalidade dificultar o rastreamento da origem, circulação e destinação dos recursos.

Com isso, a Polícia Civil representou à Justiça, com aprovação do MPE-SP, medidas restritivas e investigativas, que foram aceitas pelo Poder Judiciário.
Foram decretadas seis prisões preventivas, bloqueios de valores superiores a R$ 327 milhões, apreensão de 17 veículos, incluindo modelos de luxo avaliados em mais de R$ 8 milhões, além de quatro imóveis vinculados aos investigados.
As medidas buscam interromper o fluxo financeiro ilícito, preservar ativos de possível origem criminosa e atingir a estrutura econômica que sustenta a atuação da facção.
A Operação Vérnix também investiga três envolvidos que estariam fora do país, respectivamente, na Itália, na Espanha, onde Paloma está foragida, e na Bolívia.
A Polícia Civil representou pela inclusão deles na Lista Vermelha da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol), por meio de difusão vermelha.


