Com o 2º maior desempenho do Estado, vendas do varejo crescem 8% em 2025

Setor encerrou o ano em desaceleração com três das nove atividades pesquisadas exibindo queda nas vendas em dezembro.

Por: ifronteira.com
04/04/2026 às 09:44
Oeste Paulista tem o 2º maior desempenho do Estado de São Paulo |
Oeste Paulista tem o 2º maior desempenho do Estado de São Paulo | Foto: Júlia Guimarães/ifronteira.com

O faturamento do comércio varejista da região de Presidente Prudente (SP) atingiu R$ 21,1 bilhões em 2025, crescimento real de 8% em relação a 2025. Foi o segundo melhor desempenho dentre as 16 regiões do Estado de São Paulo, ficando atrás apenas de Osasco (+8,5%), e o maior faturamento da série histórica iniciada em 2008. 

No ano passado, sete das nove atividades pesquisadas exibiram crescimento no comparativo anual, e quatro delas atingiram a maior receita da história — farmácias e perfumarias, materiais de construção, supermercados e o grupo outras atividades, em que predomina o varejo de combustíveis.

Os dados são da Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista (PCCV), elaborada mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) a partir de informações da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (Sefaz-SP). 

 

Relatório anul de faturamento real

 

Veja a pesquisa conuntural do comércio varejista no Oeste Paulista, de acordo com os dados da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (Sefaz-SP) e com os cáculos feitos pela Fecomércio-SP.

Os valores estão em R$ mil a preços de dezembro de 2025.

 

Atividade20242025Variação (%)
Autopeças e acessórios528.138491.218-7,0% 
Concessionárias de veículos1.549.5521.639.8915,8%
Farmácias e perfumarias2.583.7082.927.67813,3%
Eletrodomésticos, eletrônicos e lojas de departamentos483.536479.965-0,7%
Materiais de construção1.245.6581.350.1448,4%
Lojas de móveis e decoração357.687414.25215,8%
Lojas de vestuário, tecidos e calçados757.330952.54125,8%
Supermercados6.904.2827.287.5435,6%
Outras atividades5.110.6205.547.1448,5%
Total19.520.51121.090.3768%

 

Do lado negativo, duas atividades exibiram queda nas vendas. O faturamento das lojas de autopeças e acessórios recuou 7,0%, mas vale mencionar a base forte de comparação, pois o recorde histórico de receitas foi em 2024, e a atividade de eletrodomésticos, eletrônicos e lojas de departamentos registrou leve queda de 0,7%, sofrendo os efeitos dos juros elevados. 

Dezembro também registra alta nas vendas

Em dezembro, mês do Natal, o faturamento mensal do varejo da região atingiu quase R$ 2 bilhões, alta de 2,8% em relação a dezembro de 2024, o maior patamar mensal já registrado na série histórica.

 

Vendas em dezembro de 2025

 

AtividadeFaturamento real (R$ mil)dezembro 2024-2025 (%)Acumulado no ano (%)Acumulado 12 meses (%)
Autopeças e acessórios36.893-11,2-7-7,0
Concessionárias de veículos145.0844,25,85,8
Farmácias e perfumarias269.403913,313,3
Eletrodomésticos, eletrônicos e lojas de departamentos46.757-8,6-0,7-0,7
Materiais de construção104.32117,68,48,4
Lojas de móveis e decoração53.47428,515,815,8
Lojas de vestuário, tecidos e calçados122.11510,525,825,8
Supermercados704.740-2,15,65,6
Outras atividades510.7162,48,58,5
Total do comércio varejista1.993.5042,888

 

Entretanto, a desaceleração das vendas é evidente, com três das nove atividades pesquisadas registrando queda em relação ao mesmo período do ano anterior, com destaque para autopeças e acessórios, cujo faturamento recuou 11,2% em relação ao mesmo período de 2024, e para eletrodomésticos, eletrônicos e lojas de departamentos com variação negativa de 8,6%. 

Na avaliação da FecomercioSP, o resultado de 2025 foi excepcional. Foi o segundo melhor desempenho do Estado e, além do recorde histórico, o comércio da região cresceu sobre uma forte base de comparação — havia crescido 9,6% em 2021, 9,2% em 2022, 3,8% em 2023 e 6,9% em 2024. 

Vale ressaltar, porém, que, após um vigoroso ciclo de crescimento, o varejo começou a dar sinais de desaceleração a partir do segundo semestre de 2025, movimento natural, considerando-se:

 

  • a forte base de comparação e aspectos macroeconômicos como as altas taxas de juros;
  • a inflação que permaneceu acima do teto da meta durante boa parte do ano; o endividamento e a inadimplência das famílias em alta;
  • dentre outros fatores que influenciam negativamente o consumo.

 

Talvez o único fator de sustentação do crescimento seja o mercado de trabalho aquecido, mas que também já mostra desaceleração. 

Essa desaceleração fica ainda mais evidente observando-se a variação acumulada em 12 meses, que era de 10,2% em setembro, passou para 9,5% em outubro, ficou em 8,7% em novembro e fechou o ano em 8%. 

Nesse contexto, o cenário para 2026 é desafiador e a expectativa é que o varejo da região entre em uma fase de acomodação, ainda com resultados positivos ao longo do ano, mas com menores taxas de crescimento. As atividades ligadas ao comércio de bens essenciais (farmácias e perfumarias, e supermercados) devem seguir com um bom desempenho, enquanto o de bens duráveis deve ser afetado pelos juros elevados e um maior conservadorismo das famílias, principalmente no segundo semestre, com as eleições.