Muito se fala sobre o Dia das Mães, uma data tão importante celebrada neste domingo (10) e que reflete sobre os valores de doação, força e amor incondicional. Entretanto, também surge o pensamento sobre o verbo “maternar”, ressaltando a importância de se manter presente na rotina dos filhos, mas sem esquecer da própria essência.
Para as terapeutas integrativas Sandra Mara Tarifa Botta e Tatiana Tarifa Botta Perucci, de Presidente Prudente (SP), que também são mãe e filha, a maternidade é viver um amor que transforma, que ensina e que molda.
“É aprender todos os dias. É se doar, mas também se redescobrir. Ser mãe é, acima de tudo, um chamado de amor”, define Tatiana.
Ao ifronteira.com, ela diz que se sentiu mãe antes mesmo de ver suas filhas, no momento em que descobriu que elas existiam dentro dela.
“Mas essa sensação se aprofundou em um momento no hospital, quando precisei tomar algumas decisões e, instintivamente, fui até a minha mãe pedir a opinião dela. Ela respirou, olhou nos meus olhos e disse: ‘A mãe aqui é você. Você que precisa decidir. Os filhos agora são seus e a responsabilidade é sua.’ Naquele instante, eu percebi e realmente senti que eu era mãe”, destaca.
Ela também conta que a sensação de saber que geraria um filho foi uma mistura intensa de sentimentos, como: surpresa, alegria, medo e, principalmente, um profundo senso de responsabilidade.
Aos 21 anos, Tatiana recebeu um diagnóstico de uma doença autoimune grave e uma sentença médica que limitava seu futuro.
Disseram que ela teria poucos anos de vida e que não poderia ser mãe.
Hoje, mais de duas décadas depois, ela define que está aqui “viva, restaurada e mãe de cinco filhos".
“No meu caso, foi ainda mais marcante, porque havia um diagnóstico delicado de que eu não poderia engravidar. Então, viver isso foi como experimentar um milagre em forma de vida”, afima a terapeuta ao ifronteira.com.

A terapeuta se considera uma “mãe coruja", apaixonada pelos filhos e muito presente na vida deles.
“Gosto de participar da rotina, de preparar as coisas do dia a dia — desde o lanche da escola, as roupas, o acompanhamento das tarefas — até os momentos de lazer, como brincar, sair e assistir a um filme juntos”, descreve.
Tatiana compartilha que suas filhas “estão em uma fase linda de aprender a cozinhar e a cuidar da casa”, e ama estar com elas nesses momentos.
Ela também disse que ama estar com João Rafael, seu filho caçula, brincar com ele no parquinho, e perceber como entre eles existe um vínculo bonito de carinho e companheirismo.
“Vejo a maternidade como algo desafiador e, muitas vezes, cansativo, mas profundamente prazeroso e cheio de sentido. É uma relação de amor, parceria e construção diária. Existe carinho, diálogo e troca, mas também desafios, como em toda relação verdadeira. Acima de tudo, existe vínculo, amor e respeito. Eu amo brincar com eles, participar da rotina, estar presente. São nesses momentos simples que a nossa conexão se fortalece e ganha sentido”, reflete ao ifronteira.com.

Tatiana detalha que sua relação com a mãe, Sandra, é construída sobre amor, parceria, respeito, aprendizado e muitas histórias vividas juntas, além de descrevê-la como seu girassol.
Como filha, ela se vê com alguém que ama profundamente, que honra e reconhece a história que vem antes dela.
“Sou uma filha que aprende com a minha mãe, que carrega valores que ela me ensinou e que busca retribuir, com amor e presença, tudo aquilo que recebeu. Não sou perfeita, mas sou grata. E, acima de tudo, sou uma filha que escolhe permanecer, cuidar e valorizar esse vínculo todos os dias”, afirma.

Ao lado de Sandra, a terapeuta vive uma relação profunda, que foi sendo fortalecida ao longo do tempo, especialmente nos momentos mais desafiadores.
“Existe cuidado, parceria e aprendizado constante. Como toda relação verdadeira, já tivemos nossas diferenças, mas sempre prevaleceu o amor e o desejo de permanecer unidas. Hoje, vejo minha mãe não só como mãe, mas como uma grande referência de mulher, de fé e de força”, pontua ao ifronteira.com.
O que consolidou ainda mais essa relação foram as dificuldades da vida, o que fez com que se aproximassem profundamente.
“Foram muitos momentos de dor, desafios e também de conquistas, que fizeram com que o nosso vínculo se fortalecesse ao longo do tempo. Cada experiência teve sua importância nesse processo, nos unindo em cada situação vivida. Desde o momento do meu diagnóstico, passando pela gravidez das trigêmeas, a perda de uma delas, a UTI [Unidade de Terapia Intensiva] das outras duas, a cirurgia do coração da Fernanda, minhas cirurgias de reconstrução devido à perda de mobilidade, a morte do meu pai, a morte da minha avó, a chegada do João Rafael... Enfim, cada momento carrega um significado, um aprendizado e construiu um laço muito profundo entre nós”, compartilha Tatiana sobre sua jornada.

A terapeuta descreve a mãe como uma mulher de força e de fé. Uma mulher que sustenta, que acolhe e que ama com profundidade.
“Ela tem uma capacidade linda de cuidar, de permanecer e de se doar, mesmo diante das dificuldades. É firme, mas ao mesmo tempo sensível. Daquelas que ensinam mais pelo exemplo do que pelas palavras.Para mim, ela é referência de amor, resiliência e entrega uma presença que forma e transforma. Eu admiro a força, a fé e a capacidade dela de cuidar e amar mesmo nas dificuldades. Minha mãe é uma mulher que sustenta, que acolhe e que permanece. Ela é referência de entrega e de amor”, define.
Tatiana também comenta que trabalhar ao lado de Sandra é muito especial.
“Existe uma conexão que vai além do profissional. Muitas vezes nos entendemos no olhar, mas também precisamos de maturidade para separar os papéis. É um exercício constante de respeito, alinhamento e amor”, diz ao ifronteira.com.

Entre o dia a dia das duas, o que ela mais gosta, é a entrega entre elas. “Não é apenas trabalho, é propósito”.
“Saber que estamos juntas ajudando outras mulheres dá um sentido muito maior para tudo o que fazemos”, sintetiza.
Juntas, elas também desenvolvem a Imersão Terapêutica para Mulheres (Item), onde, em contato com a natureza, realizam uma vivência estruturada para trabalhar a mulher de forma integral: corpo, mente e espírito.
O projeto nasceu da escuta atenta e da observação profunda das dores silenciosas que muitas mulheres carregam, sendo assim, um espaço de pausa, acolhimento e reconexão.

Como terapeuta, Tatiana avalia que as mães que a procuram são mulheres, muitas vezes, cansadas, sobrecarregadas e, em muitos casos, desconectadas de si mesmas.
“São mães que amam profundamente, mas que acabaram se esquecendo de se olhar. O maior anseio delas é se reencontrar, se fortalecer emocionalmente e voltar a viver com mais leveza e sentido”, descreve.
Nelas, ela observa que a maior cobrança imposta é a “perfeição”.
“Dar conta de tudo, não falhar, estar sempre bem. É uma pressão que muitas vezes desumaniza e afasta a mulher da sua própria essência”, explica sobre o sentimento presente entre as pacientes.
Assim, ela ressalta a importância de escutar essas mulheres sem julgamento, com empatia e presença verdadeira.
“Acolher é permitir que essa mulher exista para além do papel de mãe. É lembrar que ela também precisa ser cuidada. Antes de sermos mães, somos mulheres. E, quando uma mulher se reconecta com sua essência, ela se torna uma mãe ainda mais presente, inteira e consciente”, finaliza ao ifronteira.com.
